Tem dia que a minha melancolia
Insiste que a sua razão exclusiva é você.
Tem dia que o cérebro envia
Uma surra pro coração conseguir te esquecer.
Tem dia que toda a magia
Esconde-se na tristeza do meu eterno não saber.
E eu me lembro do que fomos.
E de quando nos encontramos.
E que, em algum momento, sem saber, nós terminamos.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Escape
Escape
Não era como dizer apenas: minha vida não depende disso! De fato, todas as decisões se tornavam cada vez mais mandatórias, cheias de si, opressoras. Quanto ao sentimento que lhe ocupava? Uma louca vontade de cantar.
Cantando percebia que aquele não era seu destino... Então qual seria? Essa pergunta lhe inundava os minutos, as horas e os dias. Enquanto se afogava na busca pela resposta, via a sua vida, incansavelmente, gotejar ralo abaixo.
Fazia questão de manter-se atenta a todas as mudanças de maré que pudessem se aproximar. Desta forma, pensava, os outros não a incomodariam.
Sabia que o caminho da entrega era o menos trabalhoso. Já havia visto ondas como esta levando os que lhe antecederam. Sabia que aquele não era seu destino.
Contudo, cada vez que aquele mar de tristeza lhe seduzia, ainda tímido, no horizonte, não tinha dúvidas: seria imprescindível chorar.
Observando-se, à beira da situação, percebeu que algo não era mais igual. A melancolia talvez parecesse a mesma, mas não era. A apatia já havia lhe aparecido de outras vezes, mas não desta forma. E algo fundamental tinha mudado drasticamente: havia perdido o dom do choro.
Curioso isso não? Sem saber se de forma positiva ou negativa, percebia que, nos recentes maremotos emocionais, seu pranto havia se transformado em canto. E, apesar da melodia lhe aplacar a angústia de forma considerável, sentia falta do poder das lágrimas.
No fundo sabia que, por mais poderosa que fosse a música, nada lhe faria escoar seu sofrimento como uma inundação daquelas preciosas gotas salgadas. O mar de angústia que tinha dentro de si, por não transbordar para o exterior, lhe ocupava de tal forma que transformava até mesmo a menor das tarefas em um trabalho hercúleo.
Pelas secas janelas de sua alma observava que aqueles que a rodeavam não a compreendiam. Alguns achavam que era pessoal. Ela achava tão cansativo explicar-lhes que acabava por deixá-los com essa impressão errônea.
Tem sido capaz de perceber que os tais períodos de seca não tem sido em vão. Parece que vem ocorrendo uma condensação de seus pensamentos. Pensa que talvez o deserto que vem lhe ocupando não seja tão dramático. Talvez tenha escolhido ver a vida sem o embaçamento que a água traz. Não fica mais fácil. Talvez mais claro.
Já sente a iminência da chuva. Sente os ventos de mudança. Observa algumas nuvens prontas a desabar. As vezes é surpreendida por uma gota ou outra. O calor que traz a iminência dessa tempestade é por vezes insuportável. Ela aguarda.
Quando, amanhã ou depois, seus vendavais e temporais desabarem, deseja estar atenta e quem sabe até tomar um banho de chuva. Disseram que no fim há bonança. Mas isso já não importa.
Hoje em dia deseja ansiosamente o dilúvio inteiro. Raios e trovões serão bem vindos. E mesmo que o sol volte a aparecer e a secar o que a rodeia, espera que isso não ofusque toda vida que se fez da bendita água.
Por enquanto só é capaz de esperar e desejar e sentir e observar e aguardar. Faz isso cantando. Canta músicas de tristeza e felicidade, para não se esquecer de ninguém. Faz isso olhando pro céu e costuma ver passarinhos voando. Lhe disseram que esses sabem quando e onde chove ou faz sol. E cantam! Talvez junte-se a eles qualquer dia.
Não era como dizer apenas: minha vida não depende disso! De fato, todas as decisões se tornavam cada vez mais mandatórias, cheias de si, opressoras. Quanto ao sentimento que lhe ocupava? Uma louca vontade de cantar.
Cantando percebia que aquele não era seu destino... Então qual seria? Essa pergunta lhe inundava os minutos, as horas e os dias. Enquanto se afogava na busca pela resposta, via a sua vida, incansavelmente, gotejar ralo abaixo.
Fazia questão de manter-se atenta a todas as mudanças de maré que pudessem se aproximar. Desta forma, pensava, os outros não a incomodariam.
Sabia que o caminho da entrega era o menos trabalhoso. Já havia visto ondas como esta levando os que lhe antecederam. Sabia que aquele não era seu destino.
Contudo, cada vez que aquele mar de tristeza lhe seduzia, ainda tímido, no horizonte, não tinha dúvidas: seria imprescindível chorar.
Observando-se, à beira da situação, percebeu que algo não era mais igual. A melancolia talvez parecesse a mesma, mas não era. A apatia já havia lhe aparecido de outras vezes, mas não desta forma. E algo fundamental tinha mudado drasticamente: havia perdido o dom do choro.
Curioso isso não? Sem saber se de forma positiva ou negativa, percebia que, nos recentes maremotos emocionais, seu pranto havia se transformado em canto. E, apesar da melodia lhe aplacar a angústia de forma considerável, sentia falta do poder das lágrimas.
No fundo sabia que, por mais poderosa que fosse a música, nada lhe faria escoar seu sofrimento como uma inundação daquelas preciosas gotas salgadas. O mar de angústia que tinha dentro de si, por não transbordar para o exterior, lhe ocupava de tal forma que transformava até mesmo a menor das tarefas em um trabalho hercúleo.
Pelas secas janelas de sua alma observava que aqueles que a rodeavam não a compreendiam. Alguns achavam que era pessoal. Ela achava tão cansativo explicar-lhes que acabava por deixá-los com essa impressão errônea.
Tem sido capaz de perceber que os tais períodos de seca não tem sido em vão. Parece que vem ocorrendo uma condensação de seus pensamentos. Pensa que talvez o deserto que vem lhe ocupando não seja tão dramático. Talvez tenha escolhido ver a vida sem o embaçamento que a água traz. Não fica mais fácil. Talvez mais claro.
Já sente a iminência da chuva. Sente os ventos de mudança. Observa algumas nuvens prontas a desabar. As vezes é surpreendida por uma gota ou outra. O calor que traz a iminência dessa tempestade é por vezes insuportável. Ela aguarda.
Quando, amanhã ou depois, seus vendavais e temporais desabarem, deseja estar atenta e quem sabe até tomar um banho de chuva. Disseram que no fim há bonança. Mas isso já não importa.
Hoje em dia deseja ansiosamente o dilúvio inteiro. Raios e trovões serão bem vindos. E mesmo que o sol volte a aparecer e a secar o que a rodeia, espera que isso não ofusque toda vida que se fez da bendita água.
Por enquanto só é capaz de esperar e desejar e sentir e observar e aguardar. Faz isso cantando. Canta músicas de tristeza e felicidade, para não se esquecer de ninguém. Faz isso olhando pro céu e costuma ver passarinhos voando. Lhe disseram que esses sabem quando e onde chove ou faz sol. E cantam! Talvez junte-se a eles qualquer dia.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
A lenda dos pés descalços
Reza a lenda que, em algum tempo e lugar imprecisos, se esconde um ser enigmático e simples.
Dizem que esta figura é capaz de ver além do que existe.
É capaz de ver os seus pensamentos, através dos cabelos.
Desvenda os encantos daqueles com quem cruza apenas através de um sorriso.
Mas seu grande dom se esconde na capacidade de ver apenas qualidades nos olhares dos afortunados que a encontram.
Observa sem ser vista as passagens dos transeuntes.
Ao vê-los ir tenta premeditar se voltarão algum dia.
Os que regressam, quantifica o tempo que serão capazes de permanecer.
E sua grande ocupação é perceber esse eterno ir e vir comum nos seres humanos, que nunca chegam a lugar algum.
Dizem que seu paladar é muito apurado e só se sente realmente satisfeita ao ser alimentada de alegria.
Sobre seu olfato já foi comparado ao de uma cobra, por ser capaz de provar o ar ao seu redor. Sabe dizer, sem hesitar, se o ambiente está envolto em amabilidade ou se deve se manter em apnéia, para não se deixar inebriar por ares traiçoeiros.
Sua visão, no entanto, é por vezes falha. Nem sempre sabe ao certo o que vê. Não enxerga muito bem ao se aproximar das situações e, portanto, prefere assistir tudo à distância.
Quando está em situações de perigo, costuma disparar um mecanismo delirante e, então, se acalma.
Ao se sentir ameaçada sua respiração se restringe. E, apenas ao entrar num tipo de estado de delirium é capaz de retornar seu ritmo respiratório normal.
Os que são capazes de imaginar o tal ser mítico, costumam descrever um estado pleno de alegria quando este lhes permite ser visto.
Mas parece que, por mais que tentem descrever este estado passado pelo encontro com a criatura, as letras não são suficientes nem mesmo para a melhor das discrições.
Não é um ser literal.
Parece que a tal figura não é capaz de viver entre outros seres, por se cansar rapidamente mesmo com o menor dos contatos com os outros.
Acontece que a tal lenda vive em outro ritmo, outro compasso. Seu coração bate mais rápido, sua respiração é constantemente ofegante, suas sinapses não podem ser medidas no tempo.
Por não entender a maneira como vivemos é facilmente enganada. Desta forma, como meio de preservar a sua espécie, restringe ao máximo o contato.
Seu senso de direção também não é o melhor, por isso costuma usar as pegadas de outros animais para se guiar por entre os perigos que o mundo ao seu redor lhe guarda.
Apesar de todos os cuidados que toma a poderosa criatura costuma estar constantemente machucada. Não usa proteção em seus pés. Está exposta a espinhos, galhos, pedras e cacos.
Muitos se perguntam por que não arruma sapatos que lhe protejam de tais feridas. Os maiores conhecedores afirmam que a força de sua liberdade se esconde em seus pés. Calçá-la seria o mesmo que aprisioná-la numa jaula.
De maneira geral, todos que já estiveram com a mitológica criatura afirmam que não é recomendável tentar afrontá-la, muito menos capturá-la. E mais ainda, só são capazes de desfrutar das benesses que esse ser pode trazer aqueles que a deixam em paz para se aproximar quando melhor se sentir, apenas aqueles que a deixam para lá.
Dizem que esta figura é capaz de ver além do que existe.
É capaz de ver os seus pensamentos, através dos cabelos.
Desvenda os encantos daqueles com quem cruza apenas através de um sorriso.
Mas seu grande dom se esconde na capacidade de ver apenas qualidades nos olhares dos afortunados que a encontram.
Observa sem ser vista as passagens dos transeuntes.
Ao vê-los ir tenta premeditar se voltarão algum dia.
Os que regressam, quantifica o tempo que serão capazes de permanecer.
E sua grande ocupação é perceber esse eterno ir e vir comum nos seres humanos, que nunca chegam a lugar algum.
Dizem que seu paladar é muito apurado e só se sente realmente satisfeita ao ser alimentada de alegria.
Sobre seu olfato já foi comparado ao de uma cobra, por ser capaz de provar o ar ao seu redor. Sabe dizer, sem hesitar, se o ambiente está envolto em amabilidade ou se deve se manter em apnéia, para não se deixar inebriar por ares traiçoeiros.
Sua visão, no entanto, é por vezes falha. Nem sempre sabe ao certo o que vê. Não enxerga muito bem ao se aproximar das situações e, portanto, prefere assistir tudo à distância.
Quando está em situações de perigo, costuma disparar um mecanismo delirante e, então, se acalma.
Ao se sentir ameaçada sua respiração se restringe. E, apenas ao entrar num tipo de estado de delirium é capaz de retornar seu ritmo respiratório normal.
Os que são capazes de imaginar o tal ser mítico, costumam descrever um estado pleno de alegria quando este lhes permite ser visto.
Mas parece que, por mais que tentem descrever este estado passado pelo encontro com a criatura, as letras não são suficientes nem mesmo para a melhor das discrições.
Não é um ser literal.
Parece que a tal figura não é capaz de viver entre outros seres, por se cansar rapidamente mesmo com o menor dos contatos com os outros.
Acontece que a tal lenda vive em outro ritmo, outro compasso. Seu coração bate mais rápido, sua respiração é constantemente ofegante, suas sinapses não podem ser medidas no tempo.
Por não entender a maneira como vivemos é facilmente enganada. Desta forma, como meio de preservar a sua espécie, restringe ao máximo o contato.
Seu senso de direção também não é o melhor, por isso costuma usar as pegadas de outros animais para se guiar por entre os perigos que o mundo ao seu redor lhe guarda.
Apesar de todos os cuidados que toma a poderosa criatura costuma estar constantemente machucada. Não usa proteção em seus pés. Está exposta a espinhos, galhos, pedras e cacos.
Muitos se perguntam por que não arruma sapatos que lhe protejam de tais feridas. Os maiores conhecedores afirmam que a força de sua liberdade se esconde em seus pés. Calçá-la seria o mesmo que aprisioná-la numa jaula.
De maneira geral, todos que já estiveram com a mitológica criatura afirmam que não é recomendável tentar afrontá-la, muito menos capturá-la. E mais ainda, só são capazes de desfrutar das benesses que esse ser pode trazer aqueles que a deixam em paz para se aproximar quando melhor se sentir, apenas aqueles que a deixam para lá.
domingo, 12 de abril de 2009
Tempestade
Tempos de baixa energia.
Excesso de pensamentos...
Chuva...
Longos banhos quentes de banheira...
Noites que não se repetem.
Manhãs mal acordadas...
Horas desperdiçadas...
Toda a música que se pode escutar...
A incapacidade de controlar o pensar.
Encontros dispersos...
Sorrisos em excesso...
Energia que talvez não se devesse gastar...
Não saber quando parar.
Tarefas amontoadas...
Muitas bebedeiras e noitadas...
Vontade de se entregar até nada mais sobrar...
A vida tem pressa,
E a palavra expressa
O que não dá pra controlar.
Tempos de baixa energia.
Excesso de pensamentos...
Chuva...
Longos banhos quentes de banheira...
Noites que não se repetem.
Manhãs mal acordadas...
Horas desperdiçadas...
Toda a música que se pode escutar...
A incapacidade de controlar o pensar.
Encontros dispersos...
Sorrisos em excesso...
Energia que talvez não se devesse gastar...
Não saber quando parar.
Tarefas amontoadas...
Muitas bebedeiras e noitadas...
Vontade de se entregar até nada mais sobrar...
A vida tem pressa,
E a palavra expressa
O que não dá pra controlar.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica)
Cazuza
O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver...
Não pode ver
Que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu...
Te ver
Não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa...
Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açucar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica...
O nosso amor
A gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba
A gente pensa
Que ele nunca existiu...
Carapuça
Quando te vejo dizer assim tão claro,
Sincero, honesto e exato
O que pensa neste minuto
Um antigo mecanismo eu disparo
Instintivo e incerto, insensato
Contra o qual, em vão, eu luto
Me sinto mentirosa
Por querer declamar em verso e prosa
Qualquer coisa que deixe a sua certeza vaidosa
Me sinto cega
Por tentar, com essa poesia piegas
Ver o amor que você não nega
Me sinto chata
Por não ser mais tão bonita nesta data
E ver nossa alegria perdida na minha vontade nada exata
Me sinto uma zona
Por não ser mais tão bacana
E me perco pelos dias da semana
Me sinto deslocada
Por não ser mais tão doce, por estar mais cansada
Por não ser mais o seu par em nada
Me sinto injusta
Por saber o quanto lhe custa
As minhas estórias anti-românticas que você escuta
Me sinto maluca
Por inventar, como na música
Um amor que talvez não vá existir nunca
Cazuza
O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver...
Não pode ver
Que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu...
Te ver
Não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa...
Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açucar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica...
O nosso amor
A gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba
A gente pensa
Que ele nunca existiu...
Carapuça
Quando te vejo dizer assim tão claro,
Sincero, honesto e exato
O que pensa neste minuto
Um antigo mecanismo eu disparo
Instintivo e incerto, insensato
Contra o qual, em vão, eu luto
Me sinto mentirosa
Por querer declamar em verso e prosa
Qualquer coisa que deixe a sua certeza vaidosa
Me sinto cega
Por tentar, com essa poesia piegas
Ver o amor que você não nega
Me sinto chata
Por não ser mais tão bonita nesta data
E ver nossa alegria perdida na minha vontade nada exata
Me sinto uma zona
Por não ser mais tão bacana
E me perco pelos dias da semana
Me sinto deslocada
Por não ser mais tão doce, por estar mais cansada
Por não ser mais o seu par em nada
Me sinto injusta
Por saber o quanto lhe custa
As minhas estórias anti-românticas que você escuta
Me sinto maluca
Por inventar, como na música
Um amor que talvez não vá existir nunca
terça-feira, 7 de abril de 2009
Por Querer
Eu quero me render
Ao que eu sinto por você.
E quero esquecer
Tudo que eu tenho que fazer.
Eu quero ser manjar,
Para te deliciar.
E quero te trazer
Para dentro do meu mar.
Eu quero, ao acordar,
Ter sua boca pra beijar.
E quero mostrar você
Para família conhecer.
Eu quero te ensinar
Tudo o que eu aprendi.
E quero te levar
Pra bem longe disso aqui.
Eu quero o teu prazer
Para me satisfazer.
E quero que o meu filho
Se pareça com você.
Eu quero te beber
Até ficar embriagada.
E quero me cansar
Ao som das nossas gargalhadas.
Eu quero entender
O que você tinha pra dizer.
E quero me mudar
Pra não ouvir você falar.
Eu quero não ver
O que você acabou de fazer.
E quero não ler
A despedida que você mandar.
Eu quero te deixar
Sem saber o que falar.
E quero ver você
Me tentando explicar.
Eu quero te esquecer
Antes de enlouquecer.
E quero não querer
Tudo que eu quero de você.
E antes de terminar
Só uma coisa pra dizer:
Se você não me quer assim,
Eu também já não quero você.
Ao que eu sinto por você.
E quero esquecer
Tudo que eu tenho que fazer.
Eu quero ser manjar,
Para te deliciar.
E quero te trazer
Para dentro do meu mar.
Eu quero, ao acordar,
Ter sua boca pra beijar.
E quero mostrar você
Para família conhecer.
Eu quero te ensinar
Tudo o que eu aprendi.
E quero te levar
Pra bem longe disso aqui.
Eu quero o teu prazer
Para me satisfazer.
E quero que o meu filho
Se pareça com você.
Eu quero te beber
Até ficar embriagada.
E quero me cansar
Ao som das nossas gargalhadas.
Eu quero entender
O que você tinha pra dizer.
E quero me mudar
Pra não ouvir você falar.
Eu quero não ver
O que você acabou de fazer.
E quero não ler
A despedida que você mandar.
Eu quero te deixar
Sem saber o que falar.
E quero ver você
Me tentando explicar.
Eu quero te esquecer
Antes de enlouquecer.
E quero não querer
Tudo que eu quero de você.
E antes de terminar
Só uma coisa pra dizer:
Se você não me quer assim,
Eu também já não quero você.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Construindo
“O desejo ardente é uma emoção intensa, e os artistas se agarram à crença ou à experiência de que a arte nasce de sensações fortes, de preferência, relembradas num momento em que a tranqüilidade torna mais fácil a realização do trabalho.”
(A vida das musas – Francine Prose)
(A vida das musas – Francine Prose)
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