quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica)
Cazuza

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver...

Não pode ver
Que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu...

Te ver
Não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa...

Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açucar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica...

O nosso amor
A gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba
A gente pensa
Que ele nunca existiu...


Carapuça

Quando te vejo dizer assim tão claro,
Sincero, honesto e exato
O que pensa neste minuto
Um antigo mecanismo eu disparo
Instintivo e incerto, insensato
Contra o qual, em vão, eu luto

Me sinto mentirosa
Por querer declamar em verso e prosa
Qualquer coisa que deixe a sua certeza vaidosa

Me sinto cega
Por tentar, com essa poesia piegas
Ver o amor que você não nega

Me sinto chata
Por não ser mais tão bonita nesta data
E ver nossa alegria perdida na minha vontade nada exata

Me sinto uma zona
Por não ser mais tão bacana
E me perco pelos dias da semana

Me sinto deslocada
Por não ser mais tão doce, por estar mais cansada
Por não ser mais o seu par em nada

Me sinto injusta
Por saber o quanto lhe custa
As minhas estórias anti-românticas que você escuta

Me sinto maluca
Por inventar, como na música
Um amor que talvez não vá existir nunca

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